Sobre as ilhas...

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São Miguel

" A uma distância de oitenta quilómetros a norte de Santa Maria emerge a maior ilha do arquipélago: São Miguel, a ilha verde.

Com 65 km de comprimento e apenas 16 km de largura, e, pela sua variedade paisagística, pela grandiosidade dos seus acidentes geográficos, pelos fenómenos vulcânicos, pela diversidade de vegetação, povoações, gentes, gastronomia e festas, a ilha mais fascinante de todas.

Pode dizer-se que, mais do que uma ilha, São Miguel é um pequeno continente.

É formada por dois altos maciços vulcânicos, cobertos de matas e prados, que estão separados por uma região central, a mais fértil e povoada.

Na parte ocidental, a uma altura de cerca de 550 m, protegida por bosques e sebes de hortênsias, esconde-se a impressionante cratera das Sete Cidades, com a Lagoa Azul e a Lagoa Verde.

Conta a lenda que se formaram com as lágrimas de tristeza derramadas, no seu último encontro, por uma princesa de olhos azuis e o seu apaixonado, um pastor de olhos verdes, depois de o rei ter proibido o seu namoro.

A norte, encontra-se a bucólica povoação da Bretanha, nome que revela a origem dos seus loiros habitantes.

Para oriente, descobre-se, em frente a um mar bravio, uma costa abrupta, onde se intercalam pequenas praias e povoações com o olhar fixo no Atlântico, como Capelas, com o seu porto cheio de encanto, Calhetas, com um dos melhores exemplos de arquitectura açoreana, a Casa das Calhetas, hoje aberta ao turismo de habitação, Ribeira Grande, centro de comércio de gado, cidade nobre e antiga donde se chega à misteriosa e esquiva Lagoa do Fogo, inserida numa profunda caldeira.

Seguindo a costa, num alto, fica o miradouro de Santa Iria, donde se vê quase integralmente a costa norte, costa de prata nas horas matutinas e de ouro no crepúsculo.

Mais adiante, encontra-se a Gorreana, com a sua antiga fábrica de chá e a última plantação da ilha destas aromáticas folhas, talvez a única europeia.

Daí ao Pico do Ferro vai apenas um salto, impressionante miradouro que domina a lagoa e o vale das Furnas, situados numa enorme caldeira.

Aqui, a natureza, com impetuosas manifestações das forças do interior da terra, sob a forma de fumarolas, géiseres, lamas ferventes e fontes termais, recorda-nos que São Miguel se encontra sobre a microplaca tectónica açoreana, ponto de união e choque das placas europeia, africana e americana.

No meio deste vale de bosques exuberantes, encontra-se a povoação das Furnas, nostálgico balneário, construído entre fumarolas e excitantes fontes e rios de água quente que alimentam o tanque-piscina terapêutico do parque Terra Nostra, vergel tropical criado pela burguesia da ilha, nos séculos XVIII e XIX.

 

 

A leste, contra uma costa acidentada, erguem-se a Serra da Tronqueira, sulcada por profundos barrancos, e o solitário planalto dos Graminhais, coroado pelo Pico da Vara, de 1.080 m de altitude, região quase inacessível, pouco habitada e coberta com uma vegetação original e selvagem que, devido ao seu isolamento, é chamada a décima ilha.

A sul, estende-se uma costa mais suave e quente, com Povoação, Ribeira Quente, com a sua insólita Praia do Fogo, acariciada por águas termais que surgem do fundo marinho, Vila Franca do Campo, primeira capital insular, coroada pelo belo miradouro da ermida de Nossa Senhora da Paz, Caloura, com as suas profundas enseadas, Lagoa, centro da indústria de olaria e, daqui até Ponta Delgada, a capital, estende-se uma série de praias de areia finíssima e negra, destacando-se a do Pópulo e a de São Roque, presidida pela igreja que lhe dá o nome.

Por fim, Ponta Delgada, eixo administrativo, universitário e comercial do arquipélago.

Com uma população de 63.000 habitantes, quase metade de São Miguel, debruça-se sobre o mar atrás da porta e da varanda formados pelo seu porto e pela sua bela Avenida Marginal, onde se encontram as Portas da Cidade, antigo arco de acesso e símbolo da cidade, a partir do qual se desdobra, num plano geométrico de ruas estreitas, um cuidado e amplo centro histórico.

Esta urbe nobre, rica em palácios, igrejas e conventos, soube juntar o ambiente contemplativo de simples aldeia de pescadores, que outrora foi, ao encanto de uma cidade moderna. "